Prefiro falar em uma “autoria compartilhada”, no sentido de que cada experiência realizada é o resultado das ações dos participantes com utilização do objeto – ou seja, algo que foi construído a partir de um compartilhamento. O artista organiza a possibilidade da experiência e administra a continuidade do projeto em cuidadosa escuta, mantendo-o em aberto. Mas Você gostaria...? funciona produzindo inversões: os participantes, na medida em que realizam experiências e constroem sua representação (fotos, vídeos, textos, desenhos, etc), produzem trabalhos que se colocam como obras, frente às quais o artista deve reagir – ou seja, eles tornam-se propositores, enquanto o artista transforma-se em participador. De fato, os participantes a cada nova experiência efetivamente pensam o projeto – trata-se de um exercício de pensamento coletivo e cada nova “página escrita” vai pouco a pouco constituindo o que chamo de “romance crítico”, obra polifônica coletiva.
* trecho da entrevista realizada com o artista pela Fundação Iberê Camargo
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
motivos para trabalhar ou não com a arte mídia eletrônica (baseado no texto de Monica Tavares para a revista de Pós graduação da Eca)
armazenamento e recuperação de informações;
a obra pode estar presente ao mesmo tempo em todo lugar;
se cria um aspecto performático no público por precisar seguir procedimentos gerados pela obra;
favorecem a "autonomia" do receptor;
é gerado pelo público distintas e imprevisíveis composições;
destaca-se mais pelo seu poder de produção do que por sua capacidade de reflexão e de interpretação;
a obra pode estar presente ao mesmo tempo em todo lugar;
se cria um aspecto performático no público por precisar seguir procedimentos gerados pela obra;
favorecem a "autonomia" do receptor;
é gerado pelo público distintas e imprevisíveis composições;
destaca-se mais pelo seu poder de produção do que por sua capacidade de reflexão e de interpretação;
terça-feira, 24 de agosto de 2010
trechos de Leo Steinberg sobre a obra de Picasso
vemos a auto-existência corporificada, mas em um estado impossível de ser exibido, vêmo-la antes de se tornar aparência
porque o que Picasso desenha não é a aparência de uma ação, mas como é a sensação de realizá-la
desenhar todas em um só estilo seria confessar estar fora delas, olhando para as coisas de fora, como uma câmera
Picasso não está espiando; não está espreitando buracos de fechaduras, mas sim trazendo à tona recintos interiores
porque o que Picasso desenha não é a aparência de uma ação, mas como é a sensação de realizá-la
desenhar todas em um só estilo seria confessar estar fora delas, olhando para as coisas de fora, como uma câmera
Picasso não está espiando; não está espreitando buracos de fechaduras, mas sim trazendo à tona recintos interiores
quinta-feira, 22 de julho de 2010
o móvel e o imóvel e móvel e imóvel
sobre a mobilidade do fim.
o fim como mobilidade.
a mobilidade da imobilidade.
a imobilidade da mobilidade.
tempo móvel e imóvel, variando com a tua mobilidade.
móvel costuma ser mais barato que o imóvel. economize.
o fim como mobilidade.
a mobilidade da imobilidade.
a imobilidade da mobilidade.
tempo móvel e imóvel, variando com a tua mobilidade.
móvel costuma ser mais barato que o imóvel. economize.
anotações sobre arte
mobilização? movimentação? ato de filosofar?
aguçar? como? quem?
alguém disse: se a arte virasse filosofia, deixaria de ser arte.
mas ainda há filosofia dentro dela.
Ela não é a cura, a mobilização, a movimentação. Ela usa todas estas como ferramentas.
aguçar? como? quem?
alguém disse: se a arte virasse filosofia, deixaria de ser arte.
mas ainda há filosofia dentro dela.
Ela não é a cura, a mobilização, a movimentação. Ela usa todas estas como ferramentas.
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